Saímos de Akureyri às 16h. Deixámos a Ring Road e seguimos na estrada nº 82, sempre junto à costa!

Parámos em Dalvík, uma adormecida vila piscatória. É de Dalvík que saem os ferry-boats para a ilha de Grímsey, a única parte do território islandês que se encontra no Círculo Polar Árctico. A Saefari opera no Verão e os ferrys saem às 9h e às segundas, quartas e sextas-feiras. Era Sábado. Não podíamos esperar…

Continuámos pela 82 e atravessámos um túnel com 3 quilómetros para chegar até Ólafjördur. O cheiro intenso a peixe não nos deu vontade de parar!

Por volta das 17h/18h começamos a decidir onde vamos dormir… Desta vez a escolha foi a vila de Siglufjördur. Uma escolha acertada!

Siglufjördur é uma vila piscatória remota e isolada com cerca de 1300 habitantes, com um porto e com um dos melhores museus (de sempre!) que visitámos! The Herring Era Museum é composto por três edíficios e sentimos que entrámos numa máquina do tempo, que nos levou aos tempos áureos da pesca do arenque.

Esta vila já foi habitada por 10.000 trabalhadores, uma vez que durante 65 anos (entre 1903 e 1968), este foi o principal porto de pesca do país.

Pela visita vemos os barcos; fotografias da época; entramos nos quartos onde os trabalhadores dormiam e onde ainda hoje estão os seus pertences; entramos numa fábrica para conhecer o processo de extracção do óleo do peixe - aprendemos como os homens e as máquinas transformavam o arenque em fonte de alimentação para outros animais e como o seu óleo era aproveitado.

É um museu extraordinário que já ganhou vários prémios internacionais e que vale mesmo a pena conhecer! Espreitem o site: http://herring.siglo.is/en

Satisfeitos por termos escolhidos esta vila e por termos conhecido a sua história decidimos continuar a nossa aventura…

Cerca de 300 quilómetros depois chegámos a Península de Vatnsnes! Uma Península completamente isolada e em que a única opção para dormir é o Ósar Youth Hostel! O dono, um rapaz novo, adorou saber que éramos portugueses e disse-nos logo que era um grande fã de fado!

Este Hostel tem uma localização ideal por estar entre uma colónia de focas e uma das rochas mais fotografadas e bizarras da Islândia - a Hvítserkur.

A lenda conta que esta rocha foi um troll, que estava a tentar destruir o mosteiro de Pingeyrar e que foi apanhado pelo nascer-do-sol e por isso se transformou em pedra.

Passámos a meia-noite a fotografar esta rocha com um céu ainda pintado de azuis e rosas do pôr-do-sol e ainda voltámos cá no dia seguinte!

Somos sempre os últimos a deitar, mas também os últimos a acordar! Até à uma da manhã temos uma luz perfeita para fotografar e por isso tentamos chegar aos locais de interesse entre as 20h e as 21h para fotografar, jantar e voltar a fotografar. Dormimos entre 8 a 10h por noite (embora por vezes sejamos acordados pelo sol a bater na janela às 4h30!), não precisamos de nos preocupar com horários porque temos sempre luz do dia e toda a Islândia acompanha esta loucura das 24h com luz! Há piscinas que só fecham à meia-noite, há um torneio especial de golfe que se joga ao pôr-do-sol da meia-noite, podemos andar de kayak, ir ver as baleias… 

Confessamos que com tanta luz é díficil deitar cedo, mas muitas vezes também é difícil dormir durante a noite, que não é noite!

H&M